Volkswagen se inspira na Apple para desenvolver carros elétricos

Volkswagen se inspira na Apple para desenvolver carros elétricos

A Apple havia começado um ambicioso projeto chamado Titan, de onde sairia seu primeiro automóvel, elétrico e autônomo, logicamente. O temor de que a empresa da maçã mordida pudesse impactar o mercado automotivo, no entanto, se dissipou quando o desenvolvimento foi cancelado, passando a gigante de tecnologia a aplicar seus recursos em algo mais lucrativo, a tecnologia de condução autônoma.
Sem a Apple na estrada – e também sem o Google – as montadoras tradicionais podem apenas temer a Tesla, que para muitos é considerada a maçã do setor automotivo com sua filosofia bem distinta e carros elétricos atraentes e muito, muito rápidos. Mas Elon Musk não é Steve Jobs e a Tesla não é a Apple. Há diferenças, embora ambas tenham sido cruciais na disrupção de seus respectivos mercados.
Agora, quem parece querer essa imagem da Apple para si é um fabricante tradicional, a Volkswagen. De acordo com uma publicação da Reuters, o gigante alemão olha para a empresa americana como inspiração para sua orientação de design dos futuros carros elétricos. A ideia é seguir o mesmo caminho do iPhone e do iPad, que fizeram a Apple se distanciar de gigantes rivais, como Samsung ou Nokia, por exemplo.
A disruptura provocada pelo iPhone é o que estaria movendo a Volkswagen no sentido de desenvolver um tipo de carro elétrico que teria um estilo propositalmente diferente do atual e divergente, rompendo com o tradicional, uma saída também para escapar da névoa tóxica provocada pelo Dieselgate. Isso significa mudar muito mais do que estilo, algo que já estamos presenciando aqui no Brasil com a mudança de postura da marca.
Klaus Bischoff, chefe de design da VW, diz: “Estamos atualmente redefinindo os valores da Volkswagen para a era da eletrificação”. E completa: “O que está em jogo é ser tão significativo, puro e claro quanto possível e também visualizar uma arquitetura completamente nova”. Com 34 bilhões de euros para gastar, a empresa pretende focar sua atenção nos carros elétricos, condução autônoma e serviços de mobilidade, mas tudo isso até 2022.
Só a plataforma modular MEB levará 6 bilhões de euros para sustentar 20 modelos e nesse grupo entram inclusive clássicos da VW e modelos que estão saindo de cena agora, fora as novas propostas. Do Beetle ao Scirocco, vários modelos antigos podem retornar. O motivo é que, segundo a própria empresa, com a plataforma tipo skate MEB, é possível criar quase qualquer coisa sobre rodas. Alguns já até falam que a Volkswagen fará “tablets sobre rodas”, dado também o nível elevado de automação.
Em Genebra, um quarto conceito ID irá aparecer e reforçar o time que já conhecemos, liderado pelo hatch ID, seguido da “Kombi” ID Buzz e do SUV ID Cross, mas já existem outros nomes registrados para mais produtos com a mesma orientação, embora a próxima geração da Kombi venha com uma variante comercial, o que surpreende, dado a proposta do conceito.
Mas o que é o ID? Com vistas à disrupção, o hatch começa a ser feito em novembro de 2019 e tem até contagem regressiva na VW. Quando surgir, parecia um sucessor do Golf, mas a empresa diz que não é, embora vá matar o e-Golf. A montadora quer que ele seja um best seller, assim como foi o Fusca e depois o Golf.
Nisso, o carro chega com entre-eixos enorme para um hatch, em torno de 2,75 m. Isso é devido ao tamanho das baterias de lítio de até 95 kWh. O motor elétrico com algo em torno de 170 cv e 25,5 kgfm da Siemens, sim, aquele mesmo do BMW i3. A autonomia com o pacote menor de baterias será de 400 km, suficiente para a maioria dos clientes, mas a MEB reserva alcance de até 600 km/h com as células de maior densidade. Cerca de 80% da carga poderá ser reposta em 1 hora.
Na condução autônoma, o volante se junta ao painel e o motorista apenas assiste. Se de fato será assim no modelo de produção, só saberemos no próximo ano, mas cada modelo terá pelo menos quatro radares laser LIDAR para orientação, fora os demais sensores. Mas a questão principal, especialmente para quem vislumbra ter um na garagem é o preço. Nos EUA, a promessa é de custar US$ 8.000 a menos que o Tesla Model 3. E aqui? Pelo menos até 2020 não teremos nada no show room, exceto do e-Golf.
Fonte: noticiasautomotivas

2018-02-20