EUA: consumidores trocam luxuosos alemães por picapes e SUVs topo de linha

EUA: consumidores trocam luxuosos alemães por picapes e SUVs topo de linha

O mercado americano está cada vez mais volátil em relação ao consumo de picapes e SUVs. Em recente artigo do The New York Times, uma análise apontou para uma mudança radical de perfil dos clientes de alto poder aquisitivo, que está ajudando a arrastar as vendas de carros novos em direção aos utilitários esportivos e picapes. Mas há um detalhe importante: todos igualmente bem caros.
Para se ter uma ideia, há quem trocou um BMW 550 2012 por um GMC Sierra Denali 2017. Nesse caso, o cliente relatado pela concessionária não partiu para a versão de acesso da picape, que parte de US$ 52.900, mas foi direto para a topo de linha, que custa US$ 71.000. Se isso até parece coerente, o que dizer de um consumidor que desistiu de um Audi A6 para levar para sua casa uma Ford F-150 Raptor. Sim, a versão radical da picape americana… Isso porque o modelo conta com versões bem luxuosas e requintadas.
Nesse caso, a diferença de preço beira os US$ 30.000 entre os dois. Aliás, a Ford indicou que as versões mais vendidas de sua best seller são exatamente as mais caras: Lariat, King Ranch e, é claro, a Raptor. Na Lincoln, a montadora americana simplesmente vai ser obrigada a aumentar a produção do luxuoso Navigator, porque a demanda é alta e o preço também. Ele parte de US$ 72.055, mas a venda média é de US$ 77.000. Isso é bem mais do que a Sierra Denali, picape luxo da GM, que tem média de US$ 56.000.
Um revendedor Jeep disse que em algumas semanas, seus dois exemplares do Grand Cherokee Trackhawk já estarão vendidos. Cada um custa US$ 93.000, que é um valor bem alto para a realidade do mercado americano. Mas isso não parece assustar os clientes premium dos EUA, que estão pagando mais caro para ter picapes e SUVs luxuosos. Os preços desses modelos estão cada vez mais altos e a rentabilidade de cada venda é altíssima.
Mas, aí podemos questionar se somente os clientes ricos impulsionariam tanto assim as vendas de picapes, por exemplo. A resposta é não, mas ajudam muito. De qualquer forma, se os casos acima parecem esporádicos, as vendas em janeiro dizem outra coisa. Em 2013, o segmento de “trucks”, SUVs e minivans nos EUA representava 30% do total das vendas de carros novos.
Em 2017, esse percentual subiu para 41%. No mês passado, os emplacamentos de picapes subiram 8,1%, enquanto os carros de passeio caíram 11%. Essas vendas ajudaram o mercado a subir 1,2% em um mês que geralmente apresenta vendas fracas. Nesse ambiente, a GMC liderou as vendas de veículos acima de US$ 60.000 com 11,3%.
Alguns analistas já falam que marcas estrangeiras estão tendo prejuízos no mercado americano por causa dessa mudança, alertando para a entrada de mais picapes e SUVs nas revendas americanas. O motivo? Empregos estáveis, confiança no futuro, gasolina barata, mercado de capitais em alta e a reforma tributária, que impulsionará ainda mais o mercado nessa direção.

Fonte: noticiasautomotivas

2018-02-20