Montadoras e exportações derrubam vendas de pneus

Montadoras e exportações derrubam vendas de pneus

A indústria de pneus sofreu quedas expressivas nas vendas em 2015 impulsionadas pela retração do comércio de veículos zero quilômetro e a demanda fraca do mercado externo. Balanço da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), mostra que a retração do setor automotivo e a economia fraca provocaram redução e 23,9% nas vendas para as montadoras e de 1,7% nas exportações na comparação com 2014. A retração observada no setor automotivo foi de 26,6% nas unidades negociadas em 2015, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado resultou na queda expressiva nas vendas para as montadoras, fortemente impactada pelo fraco desempenho das vendas de pneus de passeio (-22,4%) e de carga (-49,6%). O pneu de carga é um produto de alto valor agregado, cuja redução nas vendas impacta fortemente as receitas do setor, avalia Alberto Mayer, Presidente da ANIP. O segmento de pneus de carga decresceu de 1,9 milhão de unidades vendidas em 2014 para 964 mil unidades em 2015. Mesmo com a redução nas exportações, fabricantes nacionais de pneus ainda desempenham papel decisivo na balança comercial do país, sobretudo devido à queda de 26,8% nas importações dos fabricantes nacionais no período, que representam 7,5% do total de pneus produzidos no país. O superávit em 2015 na balança comercial dos fabricantes de pneus foi de U$S 743,49 milhões, com saldo de 6,99 milhões de unidades de pneus (exportações menos importações). Segundo a ANP, há um esforço para aumentar em 2016 as relações com o mercado externo, mas há obstáculos como elevados custos operacionais e tributários no país, que acabam limitando a competitividade do produto no exterior. Na avaliação por toneladas, que considera o peso por unidade de pneu vendido, o resultado é ainda pior. A queda é de 7,6% no período, também puxada pelo recuo nas vendas para montadoras e exportações. Reposição O mercado de reposição de pneus recuou 3,7% em relação a 2014, saindo de uma demanda de 62,9 milhões de pneus em 2014 para 60,6 milhões em 2015. Ainda no ano passado, as vendas dos fabricantes nacionais para este segmento cresceram 9%. Segundo Mayer, a queda de -29,4% na importação de pneus no mesmo período, motivada pela variação cambial, abriu “espaço” para as vendas dos pneus nacionais no mercado de reposição. “Contudo, a expectativa é de que o mercado de reposição caia no médio prazo, afetando ainda mais as receitas do setor. O consumidor tem optado por manter seu veículo, realizando manutenções que levam à troca de pneus. No entanto, essa substituição não é realizada todos os anos, o que impactará as vendas de reposição”, explica Mayer. Segundo o Presidente da ANIP, a indústria nacional de pneus é pouco beneficiada com a desvalorização cambial, uma vez que grande parte dos insumos utilizados na produção dos pneus no Brasil é importada. “O país não é autossuficiente em borracha natural, por exemplo, por isso é necessário importar, e ainda há uma tributação elevada sobre insumos estratégicos que não estão disponíveis no mercado nacional, comprometendo negativamente a competitividade do setor e, consequentemente, do produto nacional”, pontua.

Fonte: radarnacional

2016-02-23