Velocidade e segurança no trânsito: onde a redução dos limites deu certo

Velocidade e segurança no trânsito: onde a redução dos limites deu certo

O controle de velocidade por meio de regulamentações de limites nas vias públicas é, na opinião de especialistas, uma manobra eficiente de combate à violência no trânsito, especialmente contra os pedestres, que figuram 22% dos mortos em acidentes todos os anos no mundo. Mas não basta apenas isso. Na avaliação do diretor e especialista em trânsito, Luiz Gustavo Campos, os investimentos em infraestrutura também se fazem necessários.
Para que um município consiga retrair os altos índices de atropelamentos é preciso melhorar as calçadas, ciclovias e passarelas. “Essa mudança é necessária onde há grande fluxo de veículos, ciclistas e pedestres, e onde os conflitos acontecem com mais frequência”, explica.
Em paralelo, o funcionamento das vias calmas demanda ainda ações de fiscalização e de conscientização. “É necessário promover a educação no trânsito para que exista uma convivência respeitosa e harmoniosa entre o motorizado e o não motorizado, condição essencial para uma melhor mobilidade”, associa.
Londres e Nova Iorque são cidades que se destacam pelos resultados obtidos com a humanização do trânsito. Em Londres, por exemplo, o estabelecimento do limite de velocidade a 32 km/h resultou na queda de 41% dos acidentes. Em Nova Iorque, a redução de velocidade em vias próximas àquelas com mais fluxo e a readequação da área de pedestres provocou uma redução de 63% nos acidentes.
No Brasil também não faltam bons exemplos. Levantamento divulgado ano passado pela Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP) aponta para uma evolução na segurança em quatro anos de ações pela redução da violência nas vias públicas. Nos 16 eixos foi registrada uma diminuição média de 4,6% dos acidentes nos três anos posteriores à implantação em comparação ao ano que precedeu a medida.
Curitiba é outra cidade que foi palco de novos contornos à dinâmica da região central. Dados da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) indicam que, entre 2012 e 2014, 1.173 acidentes foram registrados na região, sendo 106 deles fatais e, destes, 46 por atropelamentos. “Era inadmissível um número tão elevado de acidentes para uma área onde transitam cerca de 700 mil pedestres por dia”, destaca o diretor de engenharia da Setran, Maurício Razera.
O mesmo levantamento revelou um perímetro de 149 quarteirões ainda mais violento. No mesmo período de dois anos, foram 24 mortes, dez por colisões e 12 por atropelamentos. Diante dos números, o trecho – que recebeu o nome de Área Calma – teve a velocidade máxima permitida reduzida. Razera explica que a definição foi baseada em estudos de Probabilidade de Lesão Fatal em Acidentes de Trânsito, que indicaram que a partir de 40 km/h, cresce exponencialmente o risco de lesões fatais por atropelamento. “Se o veículo estiver a 50 km/h, por exemplo, os riscos são de 50% e a partir de 70 km/h, 100%. Logo, a velocidade de 40 km/h foi considerada relativamente segura em termos operacionais e sem prejuízo à fluidez do trânsito”, esclarece.
“Desde 2010 passamos a realizar estudos mais intensos para atingir a meta e diminuir em 50% o número de mortes no trânsito até 2020”, recorda o diretor. O objetivo da medida, por outro lado, vai além de reduzir as estatísticas. “Buscamos estimular o convívio pacífico entre todos os usuários e permitir que apreciem a paisagem urbana central a pé, por exemplo”, ressalta.
As vias calmas têm 6,3 quilômetros de extensão e possuem faixas do lado direito da pista onde carros e bicicletas compartilham o mesmo espaço. Desde que foi implantada não houve acidente com vítima fatal na via. Apenas 0,09% dos veículos que transitam pelo local foram multados por excesso de velocidade.
Fonte: radarnacional

2016-02-25