Controle de estabilidade será obrigatório; saiba para que ele serve.

Controle de estabilidade será obrigatório; saiba para que ele serve.

Você já deve ter passado por uma situação onde o trânsito para repentinamente ou um pedestre cruza inesperadamente a sua frente, e você se vê obrigado a frear e, ao mesmo tempo, mudar de faixa. Muita gente perde a direção e acaba saindo da pista e, muitas vezes, esse descontrole termina em capotamento. A situação só piora quando a chuva entra em cena.
O Controle Eletrônico de Estabilidade, conhecido pelas siglas ESP (de Eletronic Stability Program) ou ESC (Eletronic Stability Control), visa reduzir as chances desse tipo de acidente. Ele funciona assim: através de vários sensores instalados nas rodas, na caixa de direção e no eixo longitudinal, o modulo eletrônico do ESP identifica que o carro se movimenta em um sentido diferente daquele estabelecido pelo motorista.
Através de 25 leituras por segundo, ele compara a direção do volante com a trajetória real que o carro está assumindo (derrapando ou saindo de frente). E, em uma fração de segundo, o módulo age, aliviando a tração do motor e aplicando (pulsando) o freio na roda mais indicada, para restabelecer a trajetória original.
Apesar de serem sistemas gerenciados por diferentes módulos, o controle de estabilidade e o sistema ABS (de antitravamento das rodas) possuem alguns itens de uso comum: os sensores das rodas e o corpo de solenoides, que direcionará a pressão de óleo de freio para a roda indicada pelo módulo eletrônico.
Algumas montadoras fazem seus testes de avaliação do ESP/ESC sobre o gelo, onde o baixo coeficiente de atrito entre o pneu e a superfície facilita o alcance condições de deslocamentos laterais em relação ao posicionamento do volante.
Obrigatoriedade só em 2020
Em um carro sem o ESP é preciso ter o conhecimento de um piloto para sair de uma situação de risco, fazendo movimentos muitas vezes contrários à nossa intuição, como demonstrado no vídeo acima.
Infelizmente, dos 50 modelos mais vendidos no Brasil apenas cinco (10% do total) possuíam o equipamento instalado em todas as versões, e em 12 modelos (24%) este sistema está presente somente em pacotes nas versões mais caras, segundo levantamento feito G1 em dezembro último, quando o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) anunciou que o controle de estabilidade será um item obrigatório em carros novos a partir de 2020.
Primeiro, a exigência vai valer para veículos que serão homologados a partir da data de validade da resolução do Contran. Ou seja, modelos inéditos e os que passarem por grandes mudanças. Na segunda fase, em 2022, o controle de estabilidade será obrigatório também nas unidades zero quilômetro de modelos que foram lançados antes da lei vigorar.
A Proteste, uma ONG internacional especializada na luta pelos direitos do consumidor, defende que esses prazos sejam antecipados. E, para mostrar a importância do ESP na prevenção de acidentes e de mortes, realizou demonstrações no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, onde foi gravado o vídeo acima.
Participante do evento, o piloto Cesar Urnhani fez um alerta que achei muito oportuno: “É hora das montadoras desvincularem itens de segurança dos pacotes de acessórios; hoje, para se comprar um veículo com o controle de estabilidade eletrônica, você terá que levar para casa um teto solar ou um jogo de rodas esportivas. Quanto mais pessoas tiverem acesso a itens de segurança, mais vidas serão salvas.” Fica a dica.
Fonte: G1

2016-04-16