Projeto sobre carros movidos a diesel tem votação adiada por Comissão.

Projeto sobre carros movidos a diesel tem votação adiada por Comissão.

Instituída no final do ano passado na Câmera dos Deputados, a Comissão Especial sobre Motores a Diesel para Veículos Leves aprovou na última semana um requerimento do deputado Bruno Covas (PSDB-SP) que adia a votação do parecer do relator deputado Evandro Roman (PSD-PR). O parecer é favorável ao Projeto de Lei 1013/11, que autoriza a produção e comercialização de veículos leves movidos a diesel.
Como destacado pelo relator, houve aumento na produção de petróleo e gás natural, saltando de 135.900 mil m³ em 1976 para 2.572.100 m³ em 2014, fazendo com que a produção nacional de petróleo passasse de cerca de 200 mil barris por dia para aproximadamente 2,2 milhões de barris/dias.
Além disso, houve aumento na capacidade de refino de petróleo. Em 1976, foram registrados 694 mil barris por dia, já em 2015 este número passou para cerca de 2.400 mil barris por dia. A produção de óleo diesel, por sua vez, foi de 14 bilhões de litros para aproximadamente 50 bilhões nesse período. “A importação de petróleo e derivados, que chegou a 44% da importação total em 1983, foi de apenas 4,2% em 2014”, afirmou.
O deputado Bruno Covas, por outro lado, destaca que em 2014 o Brasil importou mais de 12 bilhões de litros de diesel, o que corresponde a US$ 8,7 bilhões. Para ele, mesmo acrescentando o biodiesel ao diesel mineral a oferta interna não será suficiente, e o País continuará o produto.
“Somos o quinto pais do mundo que mais contribui para o desenvolvimento ambiental do planeta. Liberar carros movidos a diesel é exatamente o contrário daquilo que queremos. Devemos discutir fontes renováveis, carros movidos a energia solar, talvez. Ampliar nossa energia renovável, e não a energia dependente de carbono”, concluiu.
Segundo uma pesquisa da Universidade da Califórnia, apenas 10% dos carros que circulam no estado norte-americano são movidos a diesel, sendo que esses são responsáveis por cerca de 60% da produção de aerossóis orgânicos secundários (AOS), partículas nocivas à saúde humana. O diesel é responsável por 80% da emissão dessas partículas nos Estados Unidos.
Covas destacou ainda a multa destinada à Volkswagen, que usou um software fraudulento em 11 milhões de veículos para alterar os números nos testes de poluição. “A Europa discute a restrição de carros movidos a diesel, e nós debatemos a legalização. Ficaremos com o lixo tecnológico que vai ser proibido lá fora”, disse.
O autor da proposta, deputado Áureo, defende que o projeto, se aprovado, vai beneficiar os pequenos agricultores, já que esses trabalhadores terão um menor custo com o combustível e, consequentemente, poderão oferecer seus produtos a um menor preço, beneficiando também o consumidor. Além disso, os proprietários de veículo terão uma maior variedade na hora de abastecer, segundo ele.
Em contrapartida, o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) afirma que a regularização do uso de diesel em veículos leves afetará milhares de trabalhadores envolvidos na produção do álcool. “Não temos condições de ser independentes no diesel e na gasolina, porém no álcool temos tecnologia de ponta que chega a ser exportada. Talvez possamos pensar no Biodiesel”, finalizou.
O projeto tem caráter exclusivo (onde há votação apenas pelas comissões designadas para analisa-lo, dispensada a delibração do Plenário) e havia sido rejeitado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, antes de ser encaminhada a mais uma comissão para análise de mérito, a quarta, o que levou a proposta a ser analisada por comissão especial. Caso aprovado pela comissão especial, ele será encaminhado para análise do Senado.
Fonte: noticiasautomotivas

2016-06-11